segunda-feira, 14 de abril de 2014


Tive vontade de falar. De chorar, argumentar e fazer outro ouvido entender o que uma cabeça cheia de loucura se punha a pensar. Queria dizer, em palavras bonitas de um vocabulário ali perdido: eu te amo, hoje. Poderia não amar amanhã ou depois, poderia morrer de amor, mas nada disso importava naquele hoje. Eu tinha o mar escuro, o céu azul marinho e uma mão segurando a minha mão. Aquilo me bastava de uma forma que a ideia de planejar o amanhã não tinha espaço pra respirar. Tive vontade de gritar e apertar aquele corpo contra meu num ímpeto nervoso de dizer: eu te amo, hoje. Poderia te amar mais amanhã. Poderia implorar um único e solitário beijo, ajoelhar na grama e declarar vitória à paixão. O outro poderia rir dos meus motivos vis, beijar minha mão e dizer adeus. Isso me bastaria. Mas isso eu nunca conseguiria explicar. Eu queria ser dona de uma retórica madura pra fazer o outro entender que nunca tenho planos, especialmente pro amor. Que minhas poucas tentativas de alcançar uma ideia fracassaram por completo, e que, no fracasso, eu sorria. Porque gostava de não saber o que acontece depois. Eu queria tantas coisas que não sabia como dizer. E contrariando os planos rasos, sorri e disse adeus.

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