Ele não tinha ido. Nunca tinha sido parte, nunca quisera ser.
Não uma parte dela, não por Ela. Nem por tudo que Ela fora até ali.
Não combinava com nada daquele espaço, porque sabia que se fazia doer.
Ela não sentia dores.
De mãos atadas e pose austera, não sabia que existiam mais odores.
Não se olhava no espelho pelo medo de se ver.
De peito sempre fechado, não abria portas para amores.
[n e n h u m]
Ele não gostava do excesso de sorrisos - que de fora assim se viam -, mas não eram bem assim. Ele exalava, refletia, ocupava, e mesmo cada espaço já preenchido Ele tomava, sangrava, sorria, rasgava e morria. Pra depois se ver renascer.
Ela não se alterava, não se via nem sentia uma gota de chuva cair.
Ele, assim, não respirava.
Ela, assim, não sabia viver.
Foi um infortúnio, uma perda o desencontro, porque os dois poderiam se apaixonar. Ela saberia o que é amar. Ele poderia ensinar. Ele poderia doer e Ela poderia chorar. Ela poderia sofrer e ele libertar. Eles poderiam, mas só poderiam se Ela soubesse que Ele era a parte única que saberia acalantar.